Ao ligar o botão a música é tocada em tons menores. A melodia é doce e bonita. O som é inconfundível e muito fácil memorizar. Mesmo quando surgem os primeiros acordes dissonantes, fugindo um pouco do campo harmônico, ainda assim há leveza e pureza nas oscilantes ondas de longa perduração.
Um ritmo mais acelerado é imposto pela inquieta bateria, até então ociosa e ansiosa por querer se juntar aos demais instrumentos. O Som dos diferente tons unidos com repiques de contra-tempo acrescentam um ingrediente rodeado de mistério ao som exalado pelo conjunto.
Mas há as notas graves. O grave entra em contraste com a percussão perdendo o tom, ritmo e compasso. Simplesmente pelo grave. Pela desconcentração do conjunto.
O grave. O suficiente para a bateria iniciar seu número particular de hardcore. Enquanto a flauta cria sua sessão de nostalgia glissando notas remotas. O piano, quieto, se contorcendo por não haver quem afinasse suas cordas. A harpa harpeja, e festeja, por poder finalmente harpejar. Cada violino e cada violoncelo numa nota só, mas cada qual com seu timbre. E já que ninguém deu corda ao violão, este por sua vez, lança-se contra a parede só pra exibir seu som. Os metais, irritantes, chocam-se entre si, pois unidos conseguem fazer bastante barulho.
Tudo isso pelo grave. A verdade das notas. O eco exibicionista que não se dilui no tempo nem no espaço. O instrumento que aprender a toca-la primeiro levará aos demais instrumentos a buscar sua própria melodia. Sem muita harmonia, é verdade... mas com um belo show de exibicionismo gratuito.
14.4.08
31.3.08
Longo e tenebroso verão
O verão já passou e com ele suas atribulações. Não me dou bem com essa estação. Mas geralmente é no verão que as transformações ocorrem e nem sempre pra melhor.
Como no ano passado, vivi sucessivas coincidências que põem à prova toda conspiração que o universo exerce sobre nossas cabeças. Já não mais me surpreendo quando vejo os signos e significados serem desmistificados pela nossa própria incoerência. Em outras palavras, é sempre no verão que muito das coisas que acredito e defendo até a alma revelam-se mais falsas do que uma nota de quinze reais.
Então, porque se despedir do verão?
Bom, a mudança nem sempre é para melhor. Há decepções e até certo desinteresse meu quando descubro a não verdade por trás das coisas. Há também um desânimo por perceber que tudo aquilo que eu acreditava e defendia não era exatamente o que eu imaginava. E há preguiça por minha parte em tentar novamente entender o significado das coisas.
Então...
Então o que sai de bom disso tudo é que tenho criado um mecanismo de defesa quando gritam aos meus ouvidos tentando me convencer de mais uma falsa verdade. A cautela tem me acompanhado, comportando-se como uma muleta que mantém de pé minha própria tolerância às opiniões alheias. Pelo menos agora eu tento ouvir mais e falar menos. Há muito verão para poucas andorinhas.
Como no ano passado, vivi sucessivas coincidências que põem à prova toda conspiração que o universo exerce sobre nossas cabeças. Já não mais me surpreendo quando vejo os signos e significados serem desmistificados pela nossa própria incoerência. Em outras palavras, é sempre no verão que muito das coisas que acredito e defendo até a alma revelam-se mais falsas do que uma nota de quinze reais.
Então, porque se despedir do verão?
Bom, a mudança nem sempre é para melhor. Há decepções e até certo desinteresse meu quando descubro a não verdade por trás das coisas. Há também um desânimo por perceber que tudo aquilo que eu acreditava e defendia não era exatamente o que eu imaginava. E há preguiça por minha parte em tentar novamente entender o significado das coisas.
Então...
Então o que sai de bom disso tudo é que tenho criado um mecanismo de defesa quando gritam aos meus ouvidos tentando me convencer de mais uma falsa verdade. A cautela tem me acompanhado, comportando-se como uma muleta que mantém de pé minha própria tolerância às opiniões alheias. Pelo menos agora eu tento ouvir mais e falar menos. Há muito verão para poucas andorinhas.
27.1.08
Sinais
Funciona quando quer. Estou um pouco distante da net porque meu velhaco computador não está funcionando direito. Dependendo do mapa astral o PC dá sinal de vida ou de morte.
Nessa hora é inevitável fazer mais uma analogia curiosa. A mente humana, pelo menos por enquanto, não possui poder em prever o futuro. Então passamos a ter uma idéia de como as coisas estão indo interpretando os sinais ao nosso redor. Coisas boas e coisas ruins nos aguardam à frente. As vezes está bem claro aquilo que nos espera, outras vezes não. E é aí onde podemos cometer os mais diversos erros de nossas vidas.
Desde o acordar pela manhã ao adormecer pela noite somos bombardeados por esses sinais. E quando não interpretamos bem, tomamos escolhas equivocadas, o que só faz piorar as coisas. Uma palavra mal interpretada, um som diferente, uma imagem embaçada, um olhar diferente, um silêncio, um sorriso amarelo e muito mais são os canais que levam os diversos sinais às nossas mentes formando as ‘mensagens externas’.
Acredito que para a maioria das pessoas, o que eu disse até aqui não é novidade nenhuma. Mas, talvez, a novidade se encontra quando afirmo que ‘sinais ao nosso redor’ não necessariamente são percepções vindo de terceiros, vindo de outras pessoas, vindo do ambiente que você pertence. Esses sinais são subjetivos à sua mente. À sua própria interpretação de suas próprias ações. O que adianta perceber o ideal a ser feito se na verdade sentimos que não é o correto a ser feito? Esse questionamento vindo da alma é o mais importante e o mais poderoso sinal que a pessoa possui.
É como meu velho PC. Dá sinal de que está prestes à pifar de vez. Penso em doá-lo e comprar um novo... que na verdade apenas poderia resolver o problema trocando uma peça.
Nessa hora é inevitável fazer mais uma analogia curiosa. A mente humana, pelo menos por enquanto, não possui poder em prever o futuro. Então passamos a ter uma idéia de como as coisas estão indo interpretando os sinais ao nosso redor. Coisas boas e coisas ruins nos aguardam à frente. As vezes está bem claro aquilo que nos espera, outras vezes não. E é aí onde podemos cometer os mais diversos erros de nossas vidas.
Desde o acordar pela manhã ao adormecer pela noite somos bombardeados por esses sinais. E quando não interpretamos bem, tomamos escolhas equivocadas, o que só faz piorar as coisas. Uma palavra mal interpretada, um som diferente, uma imagem embaçada, um olhar diferente, um silêncio, um sorriso amarelo e muito mais são os canais que levam os diversos sinais às nossas mentes formando as ‘mensagens externas’.
Acredito que para a maioria das pessoas, o que eu disse até aqui não é novidade nenhuma. Mas, talvez, a novidade se encontra quando afirmo que ‘sinais ao nosso redor’ não necessariamente são percepções vindo de terceiros, vindo de outras pessoas, vindo do ambiente que você pertence. Esses sinais são subjetivos à sua mente. À sua própria interpretação de suas próprias ações. O que adianta perceber o ideal a ser feito se na verdade sentimos que não é o correto a ser feito? Esse questionamento vindo da alma é o mais importante e o mais poderoso sinal que a pessoa possui.
É como meu velho PC. Dá sinal de que está prestes à pifar de vez. Penso em doá-lo e comprar um novo... que na verdade apenas poderia resolver o problema trocando uma peça.
9.1.08
De si para si só
Demorei um pouco pra iniciar as postagem de dois mil e oito. Talvez porque eu tenha parado um pouco pra descansar mentalmente. Tirei uma semana pra ficar no puro ócio. Mas ontem e hoje resolvi ler alguns blogs, contos e alguns textos antigos meus.
Lendo os blogs, reparei o quanto os diversos escritores são receptivos, objetivos, viajantes e sinceros. Textos pequenos, outros enormes, sempre com um tom informativo e aberto a questionamentos. Foi aí que parei pra pensar um pouco sobre meu blog. E reparei que muitas das minhas postagem possuem um tom mais severo, intimista, fechado e irônico as vezes. E pela primeira vez fiz o papel de leitor da Insaminus.
Dentre tantos textos, contos, poesias me senti agredido, mas de uma forma diferente. Pois notei que das coisas que eu digo aqui, a maioria das "acusações nas entrelinhas", mensagens, conselhos e recados é direcionada para... eu. Constantemente entro em conflito comigo mesmo, lidando com minhas inúmeras hipocrisias, incompreensão, intolerância e até um certo tipo de ignorância por não ouvir (ou ler) melhor o que os outros tem a dizer.
Acho que a Insaminus é isso. O curioso comportamento humano que espelha em mim, pode se refletir em muitas outras almas angustiadas. Sinta-se em casa. Eu já estendi a rede.
Lendo os blogs, reparei o quanto os diversos escritores são receptivos, objetivos, viajantes e sinceros. Textos pequenos, outros enormes, sempre com um tom informativo e aberto a questionamentos. Foi aí que parei pra pensar um pouco sobre meu blog. E reparei que muitas das minhas postagem possuem um tom mais severo, intimista, fechado e irônico as vezes. E pela primeira vez fiz o papel de leitor da Insaminus.
Dentre tantos textos, contos, poesias me senti agredido, mas de uma forma diferente. Pois notei que das coisas que eu digo aqui, a maioria das "acusações nas entrelinhas", mensagens, conselhos e recados é direcionada para... eu. Constantemente entro em conflito comigo mesmo, lidando com minhas inúmeras hipocrisias, incompreensão, intolerância e até um certo tipo de ignorância por não ouvir (ou ler) melhor o que os outros tem a dizer.
Acho que a Insaminus é isso. O curioso comportamento humano que espelha em mim, pode se refletir em muitas outras almas angustiadas. Sinta-se em casa. Eu já estendi a rede.
31.12.07
Última folha
eis aqui a última anotação desse bloco de 365 páginas
nem todas elas foram preenchidas
assim como nem todas elas foram descritas aqui
mas, todas as páginas foram vividas intensamente
desde o despertar
até a tinta acabar
agora, um bloco novinho em folha para registrar
registrar aqui o que ainda estar por vir
na crista da felicidade viverei
na primeira folha, um sorriso seu desenharei
Feliz 2008 a todos!
nem todas elas foram preenchidas
assim como nem todas elas foram descritas aqui
mas, todas as páginas foram vividas intensamente
desde o despertar
até a tinta acabar
agora, um bloco novinho em folha para registrar
registrar aqui o que ainda estar por vir
na crista da felicidade viverei
na primeira folha, um sorriso seu desenharei
Feliz 2008 a todos!
30.12.07
Top 10 2007
Bem como em dois mil e seis, resolvi fazer um top 10 para dois mil e sete. E, assim como ano passado, o post que ficou em primeiro lugar surpreendeu-me. Este top 10 é mais um momento de esclarecer alguma postagem que não ficou bem entendida. E... engraçado... olhando mais profundamente acho isso tão narcisista. Quem sabe dois mil e oito eu não faça um top 10 de vários blogs que leio? Bom, no momento vamos à lista:
[ 10º ] Vícios sentimentais
Incluo as outras três partes sobre este post. Dedico aqui a (talvez) última parte sobre o assunto como sintetizando tudo o que escrevi sobre essa neurose que possuímos: desejar.
[ 9º ] Questionamento
Geralmente os loucos já fizeram algum questionamento contido neste post. Mas... o que seria a loucura? Seria a normalidade um conceito e padrões que somos obrigados a obedecer? Seria louco o indivíduo que questionasse todas as camadas, âmbitos, nicho, tribos e denominações sociais do planeta?
[ 8º ] Comfortably Numb
Não posso dizer muito sobre essa postagem. Simplesmente Comfortably Numb é a premonição de uma das maiores verdades que existe em minha vida. Aquelas verdades repetidas quinze vezes.
[ 7º ] O Perigo da Censura Livre
Adoro esse post. De tanto ser bombardeado com uma sutil campanha para a total libertinagem das produções artísticas (teatro, cinema, televisão) questionei sobre o que realmente é desnecessário aos meus olhos e ouvidos. Escrevi no blog que faço parte, o Segredo Social.
[ 6º ] Os grandes hiatos
Bom, enfim o esclarecimento. Hiato é o momento da vida em que passamos por uma lavagem mental. Ficamos sem inspiração. Sem idéias. Sem criatividade. Começamos a buscar coisas novas, idéias novas, inspirações diferentes. Quando voltamos (e se voltamos) mascaramos os nossos velhos ideais com maquilagem diferente. Só isso.
[ 5º ] Frutos da retina
Acho que Frutos da Retina explora o mais secreto de mim mesmo.
[ 4º ] Única
Imagine você parado numa estação de trem. Vendo pessoas embarcarem, desembarcarem, enquanto você espera. Não sabe ao certo a quem espera. Mas está ali. Ansioso. Esperançoso. Paciente. Determinado. Vê inúmeras pessoas diferentes. Até que dentre tantas pessoas você faz a diferença.
[ 3º ] Miopía em águas turvas
É um vômito. As vezes o grito da alma sai tão agudo e sonoro quando vem entalado por dias. Bom... é um texto que fala sobre incompreensão e intolerância. Ah sim, e um pouco de ignorância por quem insiste em negar as lições recebidas.
[ 2º ] Domínio
Essa é uma daquelas postagem que deu certo. Até o presente momento quatro leitores me enviaram suas opiniões. E obtive quatro opiniões diferentes. É a postagem mais subliminar. Mais cheia de mensagens em 2007. Não sabia que um conto meio medieval levasse a interpretações tão distintas. Bom... vamos lá. O post fala sobre relação. Fácil perceber quando digo "Um é o oposto do outro", tanto fisicamente quanto psicologicamente. Fala sobre um casal, extremamente apaixonado que não possuem nada em comum. Mas juntos, são invencíveis... somam forças além do imaginário. Até que um deles (a mulher, no caso) resolve dar atenção aos invejosos de plantão. Rompe a relação, abandonando seu amado. Este, por sua vez, vê-se diante de um dilema: atender os gritos de sua mente ou continuar lutando e vivendo sozinho neste mundo. Mas o fim é trágico. Ele comete suicídio, pois sua consciência falou mais alto. As duas crianças ao final apenas representam a ingenuidade que o ser humano possui quando ainda tem o poder de construir pequenas coisas. Agora, explicado! (:
[ 1º ] Passagem
Eis o primeiro colocado. Não, não é uma postagem da Insaminus. É postagem do blog O Diário de Ester. Esse post, é o post mais carregado de sentimentos, nostalgia e sinceridade emocional. Escrevi numa data especial. Considero um post especial. Fala sobre o tempo. De forma sutil à filha. De forma profunda ao pai. Sempre que leio, fico pensando que poderia escreve-lo de formas diferentes, porém terminando sempre do mesmo jeito.
[ 10º ] Vícios sentimentais
Incluo as outras três partes sobre este post. Dedico aqui a (talvez) última parte sobre o assunto como sintetizando tudo o que escrevi sobre essa neurose que possuímos: desejar.
[ 9º ] Questionamento
Geralmente os loucos já fizeram algum questionamento contido neste post. Mas... o que seria a loucura? Seria a normalidade um conceito e padrões que somos obrigados a obedecer? Seria louco o indivíduo que questionasse todas as camadas, âmbitos, nicho, tribos e denominações sociais do planeta?
[ 8º ] Comfortably Numb
Não posso dizer muito sobre essa postagem. Simplesmente Comfortably Numb é a premonição de uma das maiores verdades que existe em minha vida. Aquelas verdades repetidas quinze vezes.
[ 7º ] O Perigo da Censura Livre
Adoro esse post. De tanto ser bombardeado com uma sutil campanha para a total libertinagem das produções artísticas (teatro, cinema, televisão) questionei sobre o que realmente é desnecessário aos meus olhos e ouvidos. Escrevi no blog que faço parte, o Segredo Social.
[ 6º ] Os grandes hiatos
Bom, enfim o esclarecimento. Hiato é o momento da vida em que passamos por uma lavagem mental. Ficamos sem inspiração. Sem idéias. Sem criatividade. Começamos a buscar coisas novas, idéias novas, inspirações diferentes. Quando voltamos (e se voltamos) mascaramos os nossos velhos ideais com maquilagem diferente. Só isso.
[ 5º ] Frutos da retina
Acho que Frutos da Retina explora o mais secreto de mim mesmo.
[ 4º ] Única
Imagine você parado numa estação de trem. Vendo pessoas embarcarem, desembarcarem, enquanto você espera. Não sabe ao certo a quem espera. Mas está ali. Ansioso. Esperançoso. Paciente. Determinado. Vê inúmeras pessoas diferentes. Até que dentre tantas pessoas você faz a diferença.
[ 3º ] Miopía em águas turvas
É um vômito. As vezes o grito da alma sai tão agudo e sonoro quando vem entalado por dias. Bom... é um texto que fala sobre incompreensão e intolerância. Ah sim, e um pouco de ignorância por quem insiste em negar as lições recebidas.
[ 2º ] Domínio
Essa é uma daquelas postagem que deu certo. Até o presente momento quatro leitores me enviaram suas opiniões. E obtive quatro opiniões diferentes. É a postagem mais subliminar. Mais cheia de mensagens em 2007. Não sabia que um conto meio medieval levasse a interpretações tão distintas. Bom... vamos lá. O post fala sobre relação. Fácil perceber quando digo "Um é o oposto do outro", tanto fisicamente quanto psicologicamente. Fala sobre um casal, extremamente apaixonado que não possuem nada em comum. Mas juntos, são invencíveis... somam forças além do imaginário. Até que um deles (a mulher, no caso) resolve dar atenção aos invejosos de plantão. Rompe a relação, abandonando seu amado. Este, por sua vez, vê-se diante de um dilema: atender os gritos de sua mente ou continuar lutando e vivendo sozinho neste mundo. Mas o fim é trágico. Ele comete suicídio, pois sua consciência falou mais alto. As duas crianças ao final apenas representam a ingenuidade que o ser humano possui quando ainda tem o poder de construir pequenas coisas. Agora, explicado! (:
[ 1º ] Passagem
Eis o primeiro colocado. Não, não é uma postagem da Insaminus. É postagem do blog O Diário de Ester. Esse post, é o post mais carregado de sentimentos, nostalgia e sinceridade emocional. Escrevi numa data especial. Considero um post especial. Fala sobre o tempo. De forma sutil à filha. De forma profunda ao pai. Sempre que leio, fico pensando que poderia escreve-lo de formas diferentes, porém terminando sempre do mesmo jeito.
27.12.07
Domínio
Os guardiões estão sempre atentos para possíveis invasões às terras férteis da parte central do continente. Há somente dois. Um em cada portão da gigantesca cidade. Dias e noites, os divinos protetores vigiavam atentamente cada movimento vindo do horizonte. Não dormiam. Não comiam. Não piscavam. Imóveis como uma estátua. Prontos para entrar em ação se preciso.
A força e o poder desses dois seres era tão escomunal que qualquer um deles poderia explodir a cidade inteira invocando as forças dos seus deuses. Todos os respeitavam. Todos os admiravam. Todos os habitantes davam créditos de confiança às duas criaturas, cada uma em pontos distintos da cidade. Um era o extremo do outro.
Até que um dia, de tanto esperar pelo perigo, um dos guardiões adormeceu. No sétimo minuto de seu cochilo uma flecha, vindo de cavernas próximas, atingiu seu pescoço, perfurando a coluna que sobe para nuca. Morte na hora.
Foi então que a invasão começou. Diversas criaturas das trevas, das cavernas, dos rios, das florestas, do mar e do ar apareceram para finalmente dominar o único trecho de terra que ainda era protegido por seres divinos. A população entrou em pânico e começou a fazer preces ao único guardião que a cidade possuía.
O ser divino, ouvindo as preces, relutou em obedecer. Porém, ergueu a cabeça e decidiu atender o pedido de seu povo. Deslocou-se calmamente para o centro da cidade juntamente com todos os habitantes. Esperou os inimigos passarem os limites das fronteiras, quando então uma enorme bolha de pressão, fogo e destruição formou-se a partir do centro estendendo as partes mais longínquas possíveis.
A vida deixou de existir. A terra tornou-se estéril. O céu escureceu.
"- Crianças! Não brinquem na lama imunda!
- Estamos fazendo um castelo de barro mãe..."
A força e o poder desses dois seres era tão escomunal que qualquer um deles poderia explodir a cidade inteira invocando as forças dos seus deuses. Todos os respeitavam. Todos os admiravam. Todos os habitantes davam créditos de confiança às duas criaturas, cada uma em pontos distintos da cidade. Um era o extremo do outro.
Até que um dia, de tanto esperar pelo perigo, um dos guardiões adormeceu. No sétimo minuto de seu cochilo uma flecha, vindo de cavernas próximas, atingiu seu pescoço, perfurando a coluna que sobe para nuca. Morte na hora.
Foi então que a invasão começou. Diversas criaturas das trevas, das cavernas, dos rios, das florestas, do mar e do ar apareceram para finalmente dominar o único trecho de terra que ainda era protegido por seres divinos. A população entrou em pânico e começou a fazer preces ao único guardião que a cidade possuía.
O ser divino, ouvindo as preces, relutou em obedecer. Porém, ergueu a cabeça e decidiu atender o pedido de seu povo. Deslocou-se calmamente para o centro da cidade juntamente com todos os habitantes. Esperou os inimigos passarem os limites das fronteiras, quando então uma enorme bolha de pressão, fogo e destruição formou-se a partir do centro estendendo as partes mais longínquas possíveis.
A vida deixou de existir. A terra tornou-se estéril. O céu escureceu.
"- Crianças! Não brinquem na lama imunda!
- Estamos fazendo um castelo de barro mãe..."
24.12.07
Balança
Já a libertinagem está do lado de fora. A rebeldia. A anarquia. A resistência. A oposição. Tão cega e tão matriciais que negam as poucas verdades absolutas que movem esse mundo. Paralisam, bloqueiam, regridem e secam as raízes mais profundas dos poucos valores que ainda resistem nessa gigantesca caverna.
Há paradoxo no equilíbrio das coisas. Não há suportes que caibam todas as idealizações do que é verdadeiro e do que é falso. Do que é certo, do que é errado. Há mitos demais. Há ritos demais. Há símbolos demais. Há intolerância. Há padrões. Há o novo velho jeito de se livrar dos seus próprio medos. Sem ser sincero. Sem dizer o que realmente pensa. Sem transparecer a alma. Sem sombra. Sem luz. Sem imagens.
18.12.07
Ambiente Interno
Há mortos e feridos. Mas há paz reinando depois de um longo período de guerra. Não sobrou muito, mas as ruínas servirão como paisagens para belas pinturas. Não há vencedores, mas as lições aprendidas nos tornarão soberanos numa terra de cinzas. Não há histórias pra contar... não há tempo... não há do que se queixar.
Entre os escombros e fuselagens caminho em direção contrário ao vento, não por acaso. O lugar é irreconhecível. Não há nada, não há quase ninguém. Impossível acreditar que nessa terra ainda há de germinar sementes de esperança. Até ouvir risos de crianças, que brincam à luz do sol depois de um longo tempo de recluso.
Aos mortos, pesar...
Aos feridos, cicatrizes...
Às crianças, sementes...
Entre os escombros e fuselagens caminho em direção contrário ao vento, não por acaso. O lugar é irreconhecível. Não há nada, não há quase ninguém. Impossível acreditar que nessa terra ainda há de germinar sementes de esperança. Até ouvir risos de crianças, que brincam à luz do sol depois de um longo tempo de recluso.
Aos mortos, pesar...
Aos feridos, cicatrizes...
Às crianças, sementes...
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