Bom... já que recebi a fama de contador de piadas infames, dedico aqui no meu blog o espaço para dizer algumas delas. Logicamente não vou identificar quais são as minhas.
:p
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"Você sabe qual é o contrário de volátil?
Vem cá sobrinho."
"Tá... tudo bem que ninguém é de pedra, mas o homem é de ferro e o surfista é prateado."
"Arroz, unidos, jamais serão comidos!"
"Você conhece a piada do fotógrafo?
Ainda não foi revelada."
"Como se faz omelete de chocolate?
Com ovos de páscoa!"
"Existia um quibe... e ele andava triste, pois se chamava Zarro!"
"Porque não é bom guardar o quibe no freezer?
Porque lá dentro ele esfirra."
"Se não me falha a memória, no momento eu não me lembro!"
"Estréia de um novo filme: Sábado 14 - o dia seguinte"
"Na night, uma tartaruga chega pra outra.
- E aê, turta? Vamos tirar uma casquinha?"
"Em terra de morcego, andorinha dorme de cabeça para baixo."
"Em quantas partes se divide o cérebro (I) ? - Em 3: cé-re-bro"
"Em quantas partes se divide o cérebro(II) ? - Depende do tamanho da cacetada!"
"O que um tamanduá respondeu ao outro? - Só se for de canudinho!"
19.6.08
16.6.08
Sentido Ausente
Ultimamente coisas estranhas estão acontecendo comigo. Algumas não muito boas. E sempre que possível eu coloco a culpa no cosmos. Realmente dá vontade de rir quando listo as mais curiosas e mais "ilusitadas" situações que tenho vivido nos últimos dias. E, desta vez, literalmente fiquei cego por 4 dias. Foi de repente. Perdi a visão, e o mundo escureceu-se.
No primeiro dia foi aquele impacto. Esbarrava em tudo tentando caminhar pela casa. Olhos ardendo. Vontade de gritar. "Estou perdendo minha prova de Finanças", "culpa daquela vizinha que jogou 'creolina' na rua p'ra 'detetizar' o caminho". Sou alérgico, alérgico a qualquer produto que contenha ácido sulfídrico.
Qualquer fiapo de luz me ofuscava. As frestas de luzes que saíam da porta fechada me atormentavam. Até o visor do celular me levou aos gritos de dor na manhã do segundo dia quando fui ver que horas eram. Desesperado, esperando as vistas melhorarem pelo menos um pouco, me preparava para ligar p'ra minha médica. Até que de repente, a magia aconteceu.
Percebi algo diferente comigo. Deixei a televisão sem brilho e, sem perceber, eu "assisti" a um filme inteiro apenas ouvindo os sons e os diálogos. Levei apenas alguns minutos para decorar todos os botões do meu controle-remoto, algo que não tinha feito até recentemente.
Eu conseguia identificar todos os objetos que minha mãe manuseava na cozinha, apenas ouvindo o barulho. Comecei a sentir como nunca o cheiro da comida sendo preparada. Eu podia adivinhar cada ingrediente do almoço apenas pelo olfato. O paladar, apurado como nunca, me fez identificar melhor os detalhes que eu não "enxergava" ao saborear antes.
E, a noite, estava afim de ouvir algumas músicas minhas, entre elas algumas clássicas. Aumentei o volume do meu "ampli" já esperando algo diferente. E foi o que aconteceu. Conseguia perceber com clareza cada nota, cada acorde, cada bemol, cada detalhe da melodia. Passei a gostar até mesmo daquela música que não "via" graça nenhuma. As ondas sonoras pairavam pela casa escura.
Já nos últimos dias, tinha o mapa da minha casa inteira na mente. Sabia ir da cozinha ao banheiro em segundos. Lógico, que tropecei numa cadeira no meio da sala. Com a canela doendo, pensei "mudaram de lugar durante a noite".
No último dia comecei a sentir saudades. Saudades das cores. Parecia que tudo fazia sentido com elas. E isso não dava p'reu imaginar com olhos fechados. É realmente difícil imaginar o azul, amarelo, verde, vermelho etc. A cor é o elemento principal dos sentidos. Até que, enfim, elas retornaram como nunca na manhã do quinto dia. E fui dando adeus ao preto.
Caminhando pela rua, com um sorriso idiota no rosto, diante de muito barulho, fumaça dos ônibus, gritaria, notícias sensacionais nos jornais, buzinas, sirenes... comecei a fazer parte novamente deste mundo cinza. O sorriso se desfez, meus olhos se fecharam... tentando não acreditar no que eu estava vendo... tentando acordar desse mundo sombrio.
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Texto publicado por minha pessoa no blog Segredo Social em Setembro de 2007.
Um pouco grande, mas gostei tando que trouxe à Insaminus.
No primeiro dia foi aquele impacto. Esbarrava em tudo tentando caminhar pela casa. Olhos ardendo. Vontade de gritar. "Estou perdendo minha prova de Finanças", "culpa daquela vizinha que jogou 'creolina' na rua p'ra 'detetizar' o caminho". Sou alérgico, alérgico a qualquer produto que contenha ácido sulfídrico.
Qualquer fiapo de luz me ofuscava. As frestas de luzes que saíam da porta fechada me atormentavam. Até o visor do celular me levou aos gritos de dor na manhã do segundo dia quando fui ver que horas eram. Desesperado, esperando as vistas melhorarem pelo menos um pouco, me preparava para ligar p'ra minha médica. Até que de repente, a magia aconteceu.
Percebi algo diferente comigo. Deixei a televisão sem brilho e, sem perceber, eu "assisti" a um filme inteiro apenas ouvindo os sons e os diálogos. Levei apenas alguns minutos para decorar todos os botões do meu controle-remoto, algo que não tinha feito até recentemente.
Eu conseguia identificar todos os objetos que minha mãe manuseava na cozinha, apenas ouvindo o barulho. Comecei a sentir como nunca o cheiro da comida sendo preparada. Eu podia adivinhar cada ingrediente do almoço apenas pelo olfato. O paladar, apurado como nunca, me fez identificar melhor os detalhes que eu não "enxergava" ao saborear antes.
E, a noite, estava afim de ouvir algumas músicas minhas, entre elas algumas clássicas. Aumentei o volume do meu "ampli" já esperando algo diferente. E foi o que aconteceu. Conseguia perceber com clareza cada nota, cada acorde, cada bemol, cada detalhe da melodia. Passei a gostar até mesmo daquela música que não "via" graça nenhuma. As ondas sonoras pairavam pela casa escura.
Já nos últimos dias, tinha o mapa da minha casa inteira na mente. Sabia ir da cozinha ao banheiro em segundos. Lógico, que tropecei numa cadeira no meio da sala. Com a canela doendo, pensei "mudaram de lugar durante a noite".
No último dia comecei a sentir saudades. Saudades das cores. Parecia que tudo fazia sentido com elas. E isso não dava p'reu imaginar com olhos fechados. É realmente difícil imaginar o azul, amarelo, verde, vermelho etc. A cor é o elemento principal dos sentidos. Até que, enfim, elas retornaram como nunca na manhã do quinto dia. E fui dando adeus ao preto.
Caminhando pela rua, com um sorriso idiota no rosto, diante de muito barulho, fumaça dos ônibus, gritaria, notícias sensacionais nos jornais, buzinas, sirenes... comecei a fazer parte novamente deste mundo cinza. O sorriso se desfez, meus olhos se fecharam... tentando não acreditar no que eu estava vendo... tentando acordar desse mundo sombrio.
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Texto publicado por minha pessoa no blog Segredo Social em Setembro de 2007.
Um pouco grande, mas gostei tando que trouxe à Insaminus.
13.6.08
13 Letras
Sou fanático por números e nunca escondi isso. E tenho uma certa admiração pelo número 13. É um número que me passa uma certa instabilidade. Falta alguma coisa. Não sei o que é. Falta decifra-lo.
É incompleto, incompreensível. Mas gosto das coisas incompletas. O inacabado me estimula a continuar construindo. O incompleto me traz a sessação de querer mais. Gosto de ver um quebra-cabeça faltando apenas um peça. É infalso, falta equilíbrio. Ouvir aquela música que termina sem um belo desfecho. Ter aquela sensação estranha ao subir uma escada rolante quebrada. E de não tomar aquele último gole do excelente vinho na taça.
Esse número representa a fuga do previsível, do comum, da rotina. Gosto de histórias mal acabadas. De finais incertos. Lembro que final incerto não necessariamente é o final surpreendente, pois este todos já esperam acontecer. As letras do filme sobem e sempre há um extra a ser visto. Gosto dos extras, gostos das letras, gosto das treze letras que compõe um final feliz.
Crendices ou não, 13 pode até ser um número como qualquer outro. Mas tens traços de incoerência, falta de capricho, inconsistência e uma doce e humana hipocrisia que nos cai tão bem.
É incompleto, incompreensível. Mas gosto das coisas incompletas. O inacabado me estimula a continuar construindo. O incompleto me traz a sessação de querer mais. Gosto de ver um quebra-cabeça faltando apenas um peça. É infalso, falta equilíbrio. Ouvir aquela música que termina sem um belo desfecho. Ter aquela sensação estranha ao subir uma escada rolante quebrada. E de não tomar aquele último gole do excelente vinho na taça.
Esse número representa a fuga do previsível, do comum, da rotina. Gosto de histórias mal acabadas. De finais incertos. Lembro que final incerto não necessariamente é o final surpreendente, pois este todos já esperam acontecer. As letras do filme sobem e sempre há um extra a ser visto. Gosto dos extras, gostos das letras, gosto das treze letras que compõe um final feliz.
Crendices ou não, 13 pode até ser um número como qualquer outro. Mas tens traços de incoerência, falta de capricho, inconsistência e uma doce e humana hipocrisia que nos cai tão bem.
9.6.08
3 eixos
Antiquado. Olho para este blog e penso logo nessa palavra. Mas, me orgulho disto.
Conservador. Também é outra palavra que me vem à mente ao passar os olhos nestas duas colunas que constroem a Insaminus.
Mudança. Primeira linha de raciocínio lógico que faz mais sentido diante das outras.
Ferramenta. As mais básicas... mãos.
No momento certo. Com as peças certas. E na direção certa.
Conservador. Também é outra palavra que me vem à mente ao passar os olhos nestas duas colunas que constroem a Insaminus.
Mudança. Primeira linha de raciocínio lógico que faz mais sentido diante das outras.
Ferramenta. As mais básicas... mãos.
No momento certo. Com as peças certas. E na direção certa.
24.5.08
Cego
Havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia:
"Por favor, ajude-me, sou cego"
Um publicitário, parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz e o giz e escreveu outro anúncio e foi embora.
Mais tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego. Agora, o seu boné estava cheio de moedas. O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, querendo saber o que havia escrito ali.
O publicitário disse:
- Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras"
Sorriu e continuou seu caminho. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia:
"Hoje é Primavera em Paris e eu não posso vê-la"
(texto de autoria desconhecida)
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Se alguém souber o nome do autor, favor escreva-me.
"Por favor, ajude-me, sou cego"
Um publicitário, parou e viu umas poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou o cartaz e o giz e escreveu outro anúncio e foi embora.
Mais tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego. Agora, o seu boné estava cheio de moedas. O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz, querendo saber o que havia escrito ali.
O publicitário disse:
- Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras"
Sorriu e continuou seu caminho. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia:
"Hoje é Primavera em Paris e eu não posso vê-la"
(texto de autoria desconhecida)
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Se alguém souber o nome do autor, favor escreva-me.
15.5.08
A pessoa que faz a diferença
O tempo passa e vejo a vida mostrar as diferentes faces de uma mesma mandala.
Ser diferente é ser notado, não tem jeito! É fugir do senso comum, da "normalidade" de vida. É não aceitar tudo que essa bola de neve chamada SISTEMA tem a nos oferecer. É saber filtrar aquilo que mais nos interessa e criar de forma artesanal os objetos que suprem nossos anseios.
O problema de ser diferente não é o fato de saber que os outros acham ou deixam de achar. O que falam ou deixam de falar. Se somos ou não o centro das atenções. Até porque aquele que canaliza a procura da felicidade através da aprovação da opinião das pessoas está fadado ao fracasso em viver na eterna frustração de nunca se auto-realizar.
O problema de ser diferente - talvez melhor dizendo - o triste de ser diferente é ter que aprender a conviver com a solidão. Não poder trocar experiência, não ter alguém pra conversar. É olhar para o lado e saber que há duas situações. A primeira é ser obrigado a vestir o uniforme do "senso comum" para obter um mínimo de sociabilidade no ambiente em que vive. A segunda é saber que há sim pessoas que se aproximam, mas com intenções não verdadeiras. Aproximam por algum interesse oculto, e não por querer compartilhar os mesmos valores que o 'diferenciado' possui. Afinal, o 'diferenciado' sempre possui algo a oferecer, há um mistério que desperta curiosidade nas pessoas, ou as vezes suas faculdades racionais são menosprezadas, ou seja, aparenta ser presa fácil para aproveitadores... só aparenta.
Esse texto pode até ser uma caricatura das coisas. É como uma pintura impressionista. Dou destaque aos detalhes. Lógico que as coisas não são exatamente assim, mas penso que esta é a ilustração mais próxima da (in)diferença que há entre o mundo exterior (sistema) e o mundo interior (valores pessoais).
Ser diferente é ser notado, não tem jeito! É fugir do senso comum, da "normalidade" de vida. É não aceitar tudo que essa bola de neve chamada SISTEMA tem a nos oferecer. É saber filtrar aquilo que mais nos interessa e criar de forma artesanal os objetos que suprem nossos anseios.
O problema de ser diferente não é o fato de saber que os outros acham ou deixam de achar. O que falam ou deixam de falar. Se somos ou não o centro das atenções. Até porque aquele que canaliza a procura da felicidade através da aprovação da opinião das pessoas está fadado ao fracasso em viver na eterna frustração de nunca se auto-realizar.
O problema de ser diferente - talvez melhor dizendo - o triste de ser diferente é ter que aprender a conviver com a solidão. Não poder trocar experiência, não ter alguém pra conversar. É olhar para o lado e saber que há duas situações. A primeira é ser obrigado a vestir o uniforme do "senso comum" para obter um mínimo de sociabilidade no ambiente em que vive. A segunda é saber que há sim pessoas que se aproximam, mas com intenções não verdadeiras. Aproximam por algum interesse oculto, e não por querer compartilhar os mesmos valores que o 'diferenciado' possui. Afinal, o 'diferenciado' sempre possui algo a oferecer, há um mistério que desperta curiosidade nas pessoas, ou as vezes suas faculdades racionais são menosprezadas, ou seja, aparenta ser presa fácil para aproveitadores... só aparenta.
Esse texto pode até ser uma caricatura das coisas. É como uma pintura impressionista. Dou destaque aos detalhes. Lógico que as coisas não são exatamente assim, mas penso que esta é a ilustração mais próxima da (in)diferença que há entre o mundo exterior (sistema) e o mundo interior (valores pessoais).
13.5.08
Trouble
Trouble, oh Trouble, set me free!
I have seen your face
And it's too much, too much for me.
Trouble, oh Trouble, can't you see?
You've eaten my heart away
And there's nothing much left of me.
Trouble, por Cat Stevens
I have seen your face
And it's too much, too much for me.
Trouble, oh Trouble, can't you see?
You've eaten my heart away
And there's nothing much left of me.
Trouble, por Cat Stevens
16.4.08



Não há explicação!
Não há razão, sentido, nexo e muito menos discernimento nos atos!
Os holofotes estão apontados para aquela janela com um buraco na grade!
Um verdadeiro seriado policial com capítulos mal explicados exibidos durante toda a programação normal.
Não há normalidade!
Há o mal!
Até quando? Dominante... que vence no final?
14.4.08
Hardcore
Ao ligar o botão a música é tocada em tons menores. A melodia é doce e bonita. O som é inconfundível e muito fácil memorizar. Mesmo quando surgem os primeiros acordes dissonantes, fugindo um pouco do campo harmônico, ainda assim há leveza e pureza nas oscilantes ondas de longa perduração.
Um ritmo mais acelerado é imposto pela inquieta bateria, até então ociosa e ansiosa por querer se juntar aos demais instrumentos. O Som dos diferente tons unidos com repiques de contra-tempo acrescentam um ingrediente rodeado de mistério ao som exalado pelo conjunto.
Mas há as notas graves. O grave entra em contraste com a percussão perdendo o tom, ritmo e compasso. Simplesmente pelo grave. Pela desconcentração do conjunto.
O grave. O suficiente para a bateria iniciar seu número particular de hardcore. Enquanto a flauta cria sua sessão de nostalgia glissando notas remotas. O piano, quieto, se contorcendo por não haver quem afinasse suas cordas. A harpa harpeja, e festeja, por poder finalmente harpejar. Cada violino e cada violoncelo numa nota só, mas cada qual com seu timbre. E já que ninguém deu corda ao violão, este por sua vez, lança-se contra a parede só pra exibir seu som. Os metais, irritantes, chocam-se entre si, pois unidos conseguem fazer bastante barulho.
Tudo isso pelo grave. A verdade das notas. O eco exibicionista que não se dilui no tempo nem no espaço. O instrumento que aprender a toca-la primeiro levará aos demais instrumentos a buscar sua própria melodia. Sem muita harmonia, é verdade... mas com um belo show de exibicionismo gratuito.
Um ritmo mais acelerado é imposto pela inquieta bateria, até então ociosa e ansiosa por querer se juntar aos demais instrumentos. O Som dos diferente tons unidos com repiques de contra-tempo acrescentam um ingrediente rodeado de mistério ao som exalado pelo conjunto.
Mas há as notas graves. O grave entra em contraste com a percussão perdendo o tom, ritmo e compasso. Simplesmente pelo grave. Pela desconcentração do conjunto.
O grave. O suficiente para a bateria iniciar seu número particular de hardcore. Enquanto a flauta cria sua sessão de nostalgia glissando notas remotas. O piano, quieto, se contorcendo por não haver quem afinasse suas cordas. A harpa harpeja, e festeja, por poder finalmente harpejar. Cada violino e cada violoncelo numa nota só, mas cada qual com seu timbre. E já que ninguém deu corda ao violão, este por sua vez, lança-se contra a parede só pra exibir seu som. Os metais, irritantes, chocam-se entre si, pois unidos conseguem fazer bastante barulho.
Tudo isso pelo grave. A verdade das notas. O eco exibicionista que não se dilui no tempo nem no espaço. O instrumento que aprender a toca-la primeiro levará aos demais instrumentos a buscar sua própria melodia. Sem muita harmonia, é verdade... mas com um belo show de exibicionismo gratuito.
31.3.08
Longo e tenebroso verão
O verão já passou e com ele suas atribulações. Não me dou bem com essa estação. Mas geralmente é no verão que as transformações ocorrem e nem sempre pra melhor.
Como no ano passado, vivi sucessivas coincidências que põem à prova toda conspiração que o universo exerce sobre nossas cabeças. Já não mais me surpreendo quando vejo os signos e significados serem desmistificados pela nossa própria incoerência. Em outras palavras, é sempre no verão que muito das coisas que acredito e defendo até a alma revelam-se mais falsas do que uma nota de quinze reais.
Então, porque se despedir do verão?
Bom, a mudança nem sempre é para melhor. Há decepções e até certo desinteresse meu quando descubro a não verdade por trás das coisas. Há também um desânimo por perceber que tudo aquilo que eu acreditava e defendia não era exatamente o que eu imaginava. E há preguiça por minha parte em tentar novamente entender o significado das coisas.
Então...
Então o que sai de bom disso tudo é que tenho criado um mecanismo de defesa quando gritam aos meus ouvidos tentando me convencer de mais uma falsa verdade. A cautela tem me acompanhado, comportando-se como uma muleta que mantém de pé minha própria tolerância às opiniões alheias. Pelo menos agora eu tento ouvir mais e falar menos. Há muito verão para poucas andorinhas.
Como no ano passado, vivi sucessivas coincidências que põem à prova toda conspiração que o universo exerce sobre nossas cabeças. Já não mais me surpreendo quando vejo os signos e significados serem desmistificados pela nossa própria incoerência. Em outras palavras, é sempre no verão que muito das coisas que acredito e defendo até a alma revelam-se mais falsas do que uma nota de quinze reais.
Então, porque se despedir do verão?
Bom, a mudança nem sempre é para melhor. Há decepções e até certo desinteresse meu quando descubro a não verdade por trás das coisas. Há também um desânimo por perceber que tudo aquilo que eu acreditava e defendia não era exatamente o que eu imaginava. E há preguiça por minha parte em tentar novamente entender o significado das coisas.
Então...
Então o que sai de bom disso tudo é que tenho criado um mecanismo de defesa quando gritam aos meus ouvidos tentando me convencer de mais uma falsa verdade. A cautela tem me acompanhado, comportando-se como uma muleta que mantém de pé minha própria tolerância às opiniões alheias. Pelo menos agora eu tento ouvir mais e falar menos. Há muito verão para poucas andorinhas.
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