9.9.07

Balança

É mais um final de final de semana prolongado. Agora desta vez vindo do feriado de 7 de Setembro. Quando chega essa data sempre me vem à mente a idéia que o ano acabou. Daqui para o Natal é um pulo. Assim como os finais de semana, ultimamente o tempo anda passando rápido demais.

As coisas vão acontecendo tão rapidamente que é quase imperceptível enxergar os detalhes sutis do dia a dia. Como aquele sorriso a mais entre amigos, uma deixa insinuante num final de conversa ou aquele olhar diferente quando vem o silêncio.

As perceptíveis geralmente são acontecimentos ruins. Uns acreditam que guardamos melhor coisas que nos machucam e, conseqüentemente, deixam marcas. É sempre algo de real significancia, que pode acontecer com a gente ou com alguém próximo. Algo que pesa e que dá o equilíbrio do desfrute da vida, na balança das coisas negativas e positivas.

O fato é que nesse ciclo, ou melhor, nesse giro rápido das entidades móveis ao nosso redor, é praticamente impossível não se magnetizar por aquele olhar diferente, como também não se assustar com a fragilidade da nossa própria estrutura física e mental.

No mais, desejo entender melhor o que esse olhar tanto tem a dizer. Como desejo o vigor e a vitalidade de antes. Assinado pela balança natural da vida: Yin Yang.

4.9.07

Decisão e Alívio

Muito tempo atrás, ainda no meu ginásio, minha professora de Língua Portuguesa nos deu um texto para ler. O texto narrava a história de meninos, entre 12 a 14 anos, de um colégio interno religioso, que faziam várias estripulias.

O verão se aproximava e a diretoria precisava limpar a piscina e liberar para uso geral. Como castigo, na véspera da liberação, os pestinhas foram incumbidos a limparem a piscina. Cumpriram o castigo. Mas como vingança, secretamente, quebraram algumas garrafas de vidro transparente e deixaram os cacos no fundo da piscina pois, sendo rasa, feriria qualquer um que se jogasse afoitamente buscando o frescor contra o calor do verão.

Um dos meninos que participou da perversa brincadeira não se conformava com a tamanha crueldade da estripulia. Ainda tentou convencer os demais em não cometer tal barbaridade, porém sofreu ameaças em receber toda culpa sozinho caso comentasse a mais alguém.

A tragédia era eminente. As horas passavam. A noite já estava cedendo lugar para o dia de céu claro que se aproximava. O remorso, a angústia, as dores de estômago e o choro corroíam a alma do rapazinho. Até que pela manhã, este levantou decidido.

Assim como na aula de Língua Portuguesa de tempo atrás, a pergunta que não quer calar é: "qual foi a atitude do rapaz?". O texto foi retirado de um romance, que sempre procurei mas nunca encontrei. Me coloco no lugar desse garoto... amargurado... arrependido... pensando... maquinando no que fazer!

Sabe de uma coisa? Eu me jogaria na piscina.

26.8.07

Mas... quais mudanças!?

Eu tenho notado mudanças. Algumas drásticas outras sutis. Tanto nos costumes, nas manias, nos comportamento e nas idéias. Mudanças em imagens inabaláveis tendo como base as nossas primeiras impressões e edificadas com as sensações do dia-a-dia.

Inabaláveis! Alguns preconceitos caíram por terra, surgiram outros em minha mente (infelizmente). Manias milenares, que me acompanham, foram moldadas, ajustadas ou bruscamente trocadas por outras. Os conceitos de vida, de morte, de amor, de ódio, de glórias e derrotas foram todos postos lado a lado, nesta ordem, ponderados e ratificados. Alguns ganharam peso, outros deixaram de fazer sentido.

Também tenho sentido uma mudança ao meu redor. Tanto nas pessoas próximas, tanto nas rotinas e obrigações do dia a dia, tanto no meu conceito de lazer, de relacionamento, de amizade e de idoneidade moral. Preciso esconder essas sensações de mudança para preservar aquilo que valorizo, aquilo que julgo pertencer à cadeia-existencial do mundo que "decidi acreditar do meu jeito".

As boas coisas são fluidas, acabam rápido, são sutis e percebidas tarde demais. Tenho sido cauteloso em captar aquilo que me quer bem, mesmo fugindo um pouco do meu princípio de naturalidade. Ironicamente, as mudanças estão me levando para aquilo que desconheço, me afastando dos que permanecem calcados em seus conceitos de vida, amor, diversão e profissionalismo. De maneira evidente e... drástica.

Mudanças, sejam elas naturais ou não, me atormentam. Diante disso preocupo-me em trocar a noite pelo dia (quem diria). Mas não seria pedir muito que me fizesse companhia (por um dia), nas margens desse novo mundo que não conhecia. E essa minha velha mania em não mergulhar de cabeça por me preocupar em fazer um estrago maior. Mas até isto vem mudando... sutilmente.

8.8.07

"What do u want, strange man?"

Ela entra pela sala. Se admira com a presença dele. Sem muito o que dizer, ela tenta disfarçar o nervosismo soltando:

- Olá!! Tempos que a gente não se vê!
- Para com isso. Sempre nos falamos por telefone.

Ela balançando a cabeça positivamente, frisa os lábios um no outro pensando no troco. Até que:

- Eu sei. Mas não é a mesma coisa.
- Você foge.
- Não fale assim. - ela começa a falar baixinho - eu não estou muito acostumada com isso. Eu só ando muito enrolada.
- Entendo... - ele olha pro lado e deixa suas vistas se perderem na paisagem.
- Não fique assim. Escuta. É difícil pra mim, sabe?
- É... estranho! Num momento eu tenho você nas mãos. Em outro, sinto um repúdio, próximo até do ódio.

Ela observa. Ele completa:

- Entenderei perfeitamente se não pudermos mais nos ver. Talvez seja isso que eu deva fazer... e fazer agora!
- Espere!

Ela abaixa as vistas e começa a brincar com os dedos, sem saber direito o que falar ou o que fazer. Há um momento de silêncio, quebrado por ele:

- Quando você fica assim, dá vontade de te levar pra casa.

Ela, ainda de vistas baixas, esboça um suave sorriso. E ele, mais calmo, insiste:

- O que está havendo? O que esconde?
- Não suma... por favor.
- Sabe, outro dia eu vi algumas pétalas de cor rosa no mar. A hora é agora.

Ouvindo isto, ela abre um largo sorriso. Não há mais condições de segurar a vontade em dar um longo abraço. Lógico, com lágrimas rolando. Mas... somente os dois entendiam do que se tratava. Aos demais restava saber que as águas dos rios não falharam.

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Frase feita: "Não sei se sou o melhor pra você, mas poderíamos ser o melhor pra nós dois!"

23.7.07

You Give Little Love

A Coca-Cola pode ter seus defeitos, mas sabe fazer comercial. E todos eles com excelentes mensagens. E sinceramente, este último comercial realmente mexeu comigo. Tanto pela música (melodia e letra), quanto pela idéia de parodiar o jogo GTA.






"Lalala la-la-la-laaa..."

22.7.07

Alvo

- Ops. Retornar. Tem muito o que fazer hoje.
- Lembra de ontem?
- Minha memória é curta.
- Lembranças perdendo o lugar?
- Muita coisa está fora do lugar.
- Muita bagunça.
- Demasia.
- Como se sente?
- Cansado.
- Constante?
- Em todo lugar.
- Tem sido difícil manter tudo que é importante.
- Estamos perdendo espaço.
- Por causa de um, muitos são chamados.
- E para onde vão?
- Para lugar nenhum. Ficam aqui, ocupando espaço.
- Mate-os.
- Não posso. São como eu.
- Vejo tudo claro!
- Perdendo as cores?
- Perdendo a visão.
- Estamos aqui para trazer-lhe a vida.
- Que só me distancia.
- Há sentimentos correndo nessas veias.
- Alvo... como a neve.

13.7.07

Signo e significado

Gosto de brincar com os números. Gosto de seus significados e suas representações. Não sou o único, conheço e convivo com pessoas que também possuem uma relação especial com alguns números especiais.

Hoje é dia treze... sexta-feira treze. Para muitos, dia temível. O tia em que a sorte não paira sobre a Terra. Bom, até o momento não vi nada de anormal, pelo menos até chegar meia-noite. Que por falar em meia noite, o doze é outro número muito interessante. No post anterior eu encontrei um significado bem característico para este número.

São muitos. Desde o três que muitos atribuem a Santa Trindade, ao tridente, às Três Marias, ao Tri-Force! O místico e o meu adorável 7. Acho que o blog inteiro tenta expressar os inúmeros significados deste número para comigo. Há o profético dez, o esquisito onze, o próprio treze, gosto do deze 7, o duvidoso vinte e quatro, o popular cinquenta e um, o longínquo setenta e 7, o temível seis-seis-seis, o trágico cinquenta e um mil e noventa e oito...

Papo cabeça? Não aparenta. Os números estão muito presentes nas vidas das pessoas. Conheço gente que até pretendem tatuar seu número em alguma localidade do corpo. Não condeno, acredito que seja uma forma de expressar a admiração por algo, baseado numa crença ou por apego mesmo.

Papo de nerd? Provavelmente não. Inúmeros artistas e os chamados celebridades mudam de nome por buscarem uma numerologia favorável aos astros e trazer "bons fluidos". Não acredito que os números possam influenciar nas escolhas, nas atitudes, na vida da pessoa. Mas cada um com a sua fé.

Admiro os números por seu caráter lógico. Por representarem um momento histórico, uma crença popular, uma imagem no céu, um sentimento, uma gozação, o nascimento de alguém, o mistério de sua inúmera aparição... Enfim, é brincar com os números. Embora essa brincadeira traga resultados que tendem ao infinito.

7.7.07

7:7:7

Lá está ele. Na manhã de sábado o menino de pé olhando pro relógio análogo da parede. Muito novo ainda para entender as horas. Mas sempre pelas manhãs ele observa a dinâmica dos ponteiros, das frações que esse tempo gera, chegando a proporções infinitas.

Ele observa doze casas, romanamente numeradas e percebe que na metade de um dia ele poderia fazer doze grandes ações e na outra metade brincar e descansar. As casas grandes se sub-dividem em cinco pontos, que para cada casa o ponteiro médio consome sessenta destes pontos. Logo pensa que em sessenta pontos ele poderia construir, arrumar, brincar, comer, pular e falar. Parou um pouco pra pensar se o tempo de um ponto seria suficiente para arrumar sua cama desforrada.

Continuava de pé. E à medida que ele observava o movimento brusco do ponteiro maior, a naturalidade do ponteiro médio e a sutileza do ponteiro menor associava ao seu ritmo de vida. Estudos, amigos, família... tudo corrido, num espaço razoável de tempo para construir lentamente o seu futuro.

Eis o entendimento, eis o abrir dos olhos, um leve sorriso se fazia em seu rosto. Estava claro. Era absorção do conhecimento, do sentido do tempo, nascia ali, com tão pouca idade, um homem que tinha em mãos o seu propósito de vida. Para este menino, essa carga de conhecimento, essa busca sem fim, os ensinamentos, os valores e tudo mais deveriam ser compartilhados. Muito a se fazer, para multiplicar entre muitos a importância da busca da sabedoria. Da fuga do senso comum e da aparente inércia do ponteiro menor. Usando como trampolim o ponteiro médio levando a verdade na velocidade do ponteiro maior.

Muitos meninos ainda estão de pé. Olhando pro relógio. Respirando e levando a vida amarrados aos altos e baixos dos ponteiros. Circuncidados pelo cálice dogmático da robotização das horas. Mas entre eles, um deles, justamente ele, entende as imagens geradas na parede. O valor do tempo e o seu sentido de vida. Numa manhã de sábado, quando por uma fração de segundo o relógio marcava sete horas, sete minutos e sete segundos.

1.7.07

Sob o sol da Toscana

É incrível como alguns filmes mexem mesmo com a pessoa. E Sob o sol da Toscana com certeza é um deles. Com um enredo inicialmente simples, o filme vai surpreendendo pelo excelente andamento das situações vividas pela personagem principal Frances, uma escritora, recém divorciada, que tenta lidar e vencer sua situação estando mais presente e ouvindo conselhos das amigas.

Sua melhor amiga, certa vez a aconselhou a fazer uma excursão na Itália. Ela aceita e parte para a imprevisível aventura. A partir daí o filme começa a ganhar um enredo interessante, pois Frances começa a se encantar com a beleza de Roma e dos costumes locais. Até que um dia, quando o ônibus de sua excursão percorria cidades mais distantes, ela viu em um muro velho uma imagem, feita de mármore antigo, de uma casa com varanda e árvores. Algo despertou seu interesse e pediu para descer do ônibus, sem mesmo ver verdadeiramente a casa da imagem por sobre o muro.

Frances abre o portão antigo, ao lado da imagem da casa. Passa por um jardim e finalmente vê a casa propriamente dita. Em divertidas cenas curiosas de negociação, consegue a compra da casa, que está muito velha e decide reformá-la. O próprio vendedor torna-se um grande amigo e apresenta diversos interessados em trabalhar para ela.

Bom, não vou narrar o filme inteiro, mas nossa personagem vive momentos felizes, inusitados, divertidos entre outros, diante de amigos, personagens curiosos, famílias tradicionais, aprendendo a culinária típica, a fé religiosa, os costumes e a cultura local. Em uma busca pelo que ela não sabe. Era a casa e Frances, Frances e a casa do século XIII. Até o momento que ela se questiona: "Porque estou aqui? Porque estou nessa casa grande sem ninguém?", quando o vendedor amigo, casado, lhe conta um conto: "Muito tempo atrás, nos Alpes de Viena e Veneza, construíram trilhos de trens para ligarem as duas cidades, mesmo ainda não existindo trens que percorressem os trilhos".

Quando o rumo do filme parecia cair no previsível, novos acontecimentos à Frances nos colocam sob fortes desconfiança sobre o verdadeiro propósito do filme. Nossa personagem começa a perceber que casos como o seu acontecem ao seu redor, com máscaras diferentes. Que o tradicionalismo às vezes é duro de ser quebrado. E que num belo dia poderia até se envolver com alguém, como acontece com ela.

Mas o gancho principal é quando Frances recebe misteriosamente três caixas. O conteúdo dessas três caixas faz com que Frances tome decisões importantes para sua vida. E, logicamente, não vou dizer o desenrolar da história, que segue para um final quase esperado.

Mas, de consolo, revelo que o elemento principal do filme é a torneira velha da casa, que aparentemente não funciona.

5.6.07

5, 6, 7

cruzeiro do sul

badaladas

sentidos