1.6.07

Introspectivo

Aquele meu olhar pro nada, aquele meu silêncio mortal, aquele meu mau-humor tradicional e a sensação do silêncio ao redor. Dias após dias passa um filme na minha cabeça, com imagens de quem eu fui, de quem eu sou e de como serei. Imagens ora tristes, ora alegres, ora conflitantes e imagens de acontecimentos de não sei onde, mas existiram.

Tenho inúmeras peças... não sei como encaixá-las. Caramba, falta algumas, as mais importantes estavam bem aqui. Ando esquecido. Ando distraído. Ando cantarolando músicas antigas e até criando melodias que arrepiam minha alma. Ando falando sozinho, que pra disfarçar essa minha loucura dentre as pessoas eu ponho o celular no ouvido fingindo estar falando com alguém.

É a minha loucura particular, que tento ir levando nessa normalidade de vida. E tudo é mais intenso nesse frio, nas noites, naquela maldita esquina que cometi a loucura de deixar aquele olhar melado avermelhar de lágrimas. Essa imagem provavelmente será a mais constante... talvez eterna.

Sou perseguido pelo passado e tento fazer as pazes com o presente dosando as não tão numerosas opções de caminhos a seguir. Ando escutando menos. Enxergando menos. Me socializando menos. Me afastando de não sei onde, buscando não sei o quê e vivendo não sei como.

23.5.07

Momento Certo

Talvez a atitude mais repudiada para quem tem um objetivo sólido e bem fundamentado seja a desistência. Vejo o quanto nós somos submetidos a verdadeiros bombardeios de estímulos, sonhos e objetivos que nos levam a total exaustão de nossas forças na busca do que acreditamos ser o melhor para nós. Mas, pergunto... quando é a hora de desistir? Vale a pena seguir sempre com um sonho cada vez inalcançável?

São perguntas difíceis, quase impossíveis de se responder. Até porque a realidade da vida pinta a própria cara de diferentes formas aos que se atrevem a entendê-la. Desistir faz-nos entender o quanto poderíamos canalizar nossas forças para um objetivo mais próximo, concreto, palpável. Que, sim, poderá servir de âncora para objetivos maiores.

Desistir não é para os fracos. Talvez o comodismo. Desistir, sem o comodismo, é preparar-se para encarar um caminho alternativo, que talvez não seja o desejado, mas muito provavelmente é o ideal. É também questionável a desistência da vida. O que leva a pessoa a desistir de viver? Eu me questiono muito na atitude de um suicida que não utilizou elementos de exibicionismo ou o sensacionalismo em seu ato. Ato de covardia... ou ato de coragem?

Quando ouço "desistir nunca!!" lembro um episódio dos Simpsons em que Homer tenta a cada segundo pegar um pedaço de carne numa panela grande com água fervente. Fico imaginando isso na vida real. A cada segundo um grito de dor. A cada segundo uma queimadura mais profunda. Estupidamente uma pessoa querendo ir contra as leis da física, podendo obter seu alimento de maneiras mais seguras ou até mesmo obter outro alimento para saciar sua fome.

No filme Cruzada, o personagem Balian (Orlando Bloom) desiste de lutar pela defesa de Jerusalém por acreditar que causaria um número menor de mortes entre os habitantes cristãos da cidade. Ele optou em desistir, jogar fora seu orgulho, aceitar humildemente a derrota e preservar inúmeras vidas que habitavam uma cidade que estava sucumbindo aos ataques do exército sarraceno comandado pelo Rei Saladino.

No estudo de administração de empresas é muito comum os líderes submeterem seus subordinados a desafios que estão acima de seus limites. E é a partir desta técnica que há o crescimento da empresa e o crescimento profissional do subordinado. Mas, uma coisa é ser submetido a desafios de maneira consciente em que a pessoa administra seus recursos técnicos e intelectuais de acordo com o problema proposto. Outra coisa é, inesperadamente, estar numa situação de vida em que seus esforços físicos, mentais, sentimentais, intelectuais são elevados ao extremo, sem retorno, sem perspectivas.

Também não existe no dicionário esportivo a palavra desistir. É lógico que numa competição em que há atletas preparados para competir até o fim num intervalo de tempo, desistir é mais que fugir a regra. Mas não creio que isso se aplica numa competição que envolve luta, com um adversário totalmente imobilizado ou nocauteado. Nesse caso, ir até o fim pode ser sinônimo de morte.

O indivíduo que não desiste nunca desperta admiração entre os demais. Geralmente quando este chega ao triunfo. Mas quando há o fracasso, é muito provável que essa admiração se transforme em sensação de estupidez e de burrice. A atitude de se jogar de peito aberto à lanças e espadas poderia ser substituída por uma atitude mais estratégica, bem pensada.

As vezes nem sempre o que almejamos seja realmente o melhor a seguir. É complicado perceber que aquilo que acreditávamos ser o certo é algo a ser descartado por não gerar resultado em nenhuma dimensão. Perde-se tempo, recursos, esforço, estímulo e energia naquilo que pintamos como 'felicidade'.

O homem é passivo em aprender com o erro. Posso hoje dizer que nem sempre o menor caminho é o melhor a seguir.

13.5.07

Mãe


Coração de mãe é assim, sempre cabe mais um.

Felicidades para todas as Mães.

E um beijo e abraço especial para a minha Mãe.

3.5.07

Comfortably Numb

É um sono pesado. Como numa noite fria, que a gente nem sente passar dormindo sobre muitos cobertores. Mas a quentura é de febre e o suor é um sinal que estamos combatendo aquilo que quer nos destruir.

As vezes percebe-se figuras na parede, ilusão produzida pela luz e sombra que vem de fora. E há tosse sincronizada com o latido do cachorro na rua. Ah, outra coincidência... acabou de acontecer nessa linha.

Quando a febre irá passar? Há remédio pra isso? Porque é tão desgastante e dolorido as vezes que se tenta sair dessa paralisia tentando se movimentar livremente? O repouso é recomendado, mas o comodismo chega a ser incômodo. O gosto amargo, na boca e na vida, é como uma irritante microfonia seguida de uma doce melodia.

Não tenho medo. Nem do sono pesado nem das noites frias. E se a febre insistir em voltar, talvez eu a utilize para manter acesa a brasa que serve de combustível para a vida.

27.4.07

Frutos da Retina

De novo, difícil de interpretar. Mas se me permite, faço minhas as suas palavras, embora não muitas. As poucas que guardo são carregadas de sentimento, sinceridade e ternura. Principalmente quando seu olhar insiste em se perder no horizonte à nossa frente, o que me faz perceber o quanto é mais importante olhar na mesma direção.

Não são anjos no céu... mas estão lá, prontos para serem tocados. São reais. Difíceis de alcançar. Estupidamente distante de nós, rindo e quase imponentes. Mas quando são tocados, quando são encarados de frente, a superação e o vigor da conquista nos tornam, por alguns instantes, inabaláveis.

Não costumo errar quando percebo a beleza do que vejo. São verdes... ainda mais de dia... a luz do sol não mente, as cores, as expressões e até mesmo a fala são ricamente definidas contrastando com a imagem turva das sombrosas noites.

Porém haverá sempre um eterno paradoxo entre o real e o imaginário. Dois mistérios que cercam esse que insiste em acreditar naquilo que se esconde nos corações das pessoas. O mistério da realidade é por não ser tão evidente e constante as palavras que criam pontes entre os fatos e o parecer. Já o mistério do imaginário é o quanto eu me perco em seus momentos de desligamento real, por nunca saber o que realmente está pensando.

22.4.07

Nas Nuvens


Raro isso acontecer, e quando acontece a gente tem que prestigiar. Dia perfeito. Não muito quente, vento fresco do mar, muita gente e adrenalina no ar. Vai deixar saudade a competição Red Bull Air Race, evento realmente de 1º mundo.

Muito legal a idéia de corrida aérea passando pelos cones e obstáculos. Num cenário estrategicamente bem escolhido, na enseada de Botafogo, em frente ao Pão de Açúcar.

Impressionante ver pilotos veteranos da aviação voando, disputando e comemorando como se fossem crianças. O dia foi perfeito. Revi velhos amigos, um outro grande amigo e curti o evento em agradável companhia.

Já a corrida, bom... eu estava torcendo p’ro simpaticíssimo bigodudo Peter Besenyei (Hungria), vencedor da primeira etapa realizada nos Emirados Árabes. E percebi que o pessoal também estava torcendo por ele. Mas infelizmente ele foi eliminado ainda nas quartas de final, tirando um "ahhhh" de geral que estava assistindo. Mas gostei da vitória do britânico Paul Bonhomme.

Foi tudo muito organizado. A praia estava lotada, com vários telões mostrando detalhes das manobras dos aviões e até mesmo da cabine exibindo as engraçadas expressões dos pilotos quando faziam 'loopings' no ar. Não houve violência. Tinham poucos ambulantes, o que fez a gente morrer de cede na praia... =)

Fator negativo foi o trânsito. Realmente o Rio não possui infra-estrutura para eventos como esse quando o assunto é transporte. Nem quero imaginar como vai ser o Pan-Americano com diversas competições na cidade inteira.

Mas não quero me prender ao que não dá certo. Fico contente de saber que eventos como esse são realizados em nossas terras tupiniquins. E que fique de exemplo, tanto a organização quanto ao fator 'Wow'. E um recado: não só de carnaval e futebol vive o carioca... um milhão de pessoas no Air Race é a prova disso.

17.4.07

Questionamento

Passo os dias tentando entender alguns conceitos e preconceitos. E por mais que obtenho informações de diferentes pontos de vista, não consigo entender essa lacuna nos corações das pessoas. O que procuramos?

Onde estávamos com a cabeça ao fazer a história pura e cruel como ela é? Porque guardamos as dores, os sofrimentos, as mortes e as promessas de vingança?

Somos guiados por algum ser? Porque temos que duvidar da religião? Seria ela a raiz de todos os males? Ou seria os males as únicas cinzas que nos restarão?

A maldade é da natureza humana? Ou a sociedade que nos corrompe? Ou ambos, lembrando que a sociedade é criação do próprio homem.

Porque tenho a sensação que os sentimentos são reflexos sobrenaturais? Seria a coragem o ato de vencer o medo? O amor um sentimento utópico? A fé e a esperança seriam apenas bengalas conceituais para os preguiçosos?

Porque nos julgamos a raça dominante por apenas termos a noção de tempo e espaço? E por saber que vamos morrer? O que esperamos? E que angustia é essa por não ter o gostinho de saber como é do outro lado?

Se a natureza é a estrutura da perfeita ordem, porque o universo caminha p’ra entropia? Porque tende ao infinito? O que isso significa? Porque somos curiosos? Porque queremos saber de tudo? Porque as pessoas tem mania de questionar tanto?

13.4.07

Agora é assim: PÁ PUM

Diz a lenda...

"Um especialista foi chamado para solucionar um problema com computador de grande porte e altamente complexo... um computador que vale 12 milhões de dólares. Sentado em frente ao monitor, pressionou algumas teclas, balançou a cabeça, murmurou algo para si mesmo e desligou o computador. Tirou uma chave de fenda de seu bolso e deu volta e meia em um minúsculo parafuso.

Então ligou o computador e verificou que tudo estava funcionando perfeitamente.

O presidente da empresa se mostrou surpreendido e ofereceu pagar a conta no mesmo instante.

- Quanto lhe devo? - perguntou.
- São mil dólares, por favor.
- Mil dólares? Mil dólares por alguns minutos de trabalho? Mil dólares por apertar um parafuso? Eu sei que meu computador vale 12 Milhões de dólares, mas mil dólares é um valor absurdo! Pagarei somente se recebo uma nota fiscal com todos os detalhes que justifique tal valor.

O especialista balançou a cabeça e saiu. Na manhã seguinte, o presidente recebeu a nota fiscal, leu com cuidado, balançou a cabeça, e saiu para pagá-la, no mesmo instante, sem reclamar.

A nota fiscal dizia:

Serviços prestados: Apertar um parafuso..................... 1 dólar
Saber qual parafuso apertar....... 999 dólares.

Dizem que não se cobra pelo que se faz, mas pelo que se sabe!"

5.4.07

"Tá... mas isso, deixa pra lá"

Uma manhã
Um despertar
Um sorriso
Um atraso
Um partir
Uma praça
Um olhar
Um encanto
Um caminhar
Um retorno
Um lugar
Uma vista
Uma mesa
Uma folha
Um desenho
Uma mensagem
Uma ternura
Um filme
Um desejo
Uma espera
Um outro retorno
Um caminhar
Um portão
Um silêncio
Uma promessa
Uma cobrança
Um sorriso
Um silêncio
Um beijo
Um tremor
Um carinho
Uma despedida
Um caminhar
Um grito feliz
Um sonho
Uma lembrança
E uma realidade.

2.4.07

Nomes

- Sabe quando às vezes você olha pro lado e percebe que ninguém está te olhando?
- Isso se chama solidão.

- E quando a gente treme ao ver um rosto conhecido?
- Isso se chama trauma.

- Mas nem sempre a gente procura. Parece que nos persegue.
- Isso se chama neurose.

- E nas noites frias, acordamos gritando um nome.
- Isso se chama passado.

- Que muitas das vezes prende a respiração e tira a lucidez.
- Isso se chama compulsão.

- Que dói aqui ó... bem aqui...
- Isso se chama saudade.

- A autodestruição pode ser uma boa saída...
- Isso se chama loucura!

- Contrapondo com o aprendizado de vida.
- Isso se chama sensatez.

- E este mundo?
- Isso se chama presente.

- E há um desejo insano... de vencer isso tudo.
- Isso se chama sede.

- Mas penso em fazer as malas, ir pra bem longe, fugir e não aparecer mais.
- Isso se chama medo.

- Queria ter alguém... aqui... ao lado...
- Isso se chama carência.

- Não! Me perco num olhar... não sei de onde vem... mesmo que distante.
- Isso se chama futuro.

- ...
- ...

- Como te chamas?
- Consciência.