- É alto, né?
- É!
( pausa )
- Você fuma!
- Não... odeio cigarro.
- Faz bem! Cuide de sua saúde.
- Na verdade, disso nunca deixei de cuidar.
- E do que não cuidou?
- De muitas coisa que só fizeram sentido depois que fugiram do meu controle.
- Entendo...
( longa pausa )
- Seria legal se todos entendessem também.
( pausa )
- E precisa de entendimento?
- Precisa. Eu sempre tentei fugir das coisas ruins, do meu modo.
( pausa )
- Pelo menos você tem a vista.
- Só que dura pouco.
- Faça durar. Vai estar sempre aqui.
- Não... não estará aqui.
- Talvez... no momento certo.
- Provavelmente eu devo merecer tudo isso que estou passando, só não contava que acontecesse num momento bom da minha vida.
- E nos maus momentos?
- Eu mantenho vivo os bons momentos, que ironicamente são os que mais me machucam.... já os demais eu costumo esquecer...
- E o que te faz esquecer?
- A pressão dos que me sufocam mantendo vivo o que nunca me agradou.
- Erros?
- Alguns sim, outros talvez.
- Cobranças?
- Não mais... porque talvez não faz mais sentido.
- Ruim seria se existisse resposta para tudo...
( pausa )
- Acredito que chegou o fim do meu livro dos dias.
- Rescreva-o. Esta é só a primeira edição.
- É uma história chata...
- Que pode terminar com um belo pôr do sol...
- Como este...
(longa pausa)
- Bom... eu vou indo. A gente ainda se encontra lá em cima.
Um comentário:
Sábio.
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